10 000 Empregos para o Clima

A austeridade que se faz sentir em Portugal desde 2008 ser viu de pretexto para não se desenvolver o Estado Social e para cortar em áreas como a saúde, educação, transportes e cultura. Desinvestir do que é de todos e para todos tornou-se norma num cenário social e político liberalista e de austeridade sem fim à vista.

No emprego, e à custa da dívida pública e da austeridade, perderam-se cerca de 629,5 mil empregos entre o 1.º trimestre de 2008 e o 4.º trimestre de 2015: uma média de 215 empregos perdidos por dia. E a qualidade do emprego que não se per deu também baixou: com as alterações ao Código do Trabalho em 2012, as remunerações médias tiveram desde então cortes anuais na ordem dos 400€.

Do lado do desemprego, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao 1.º trimestre de 2017 dizem-nos que a população desempregada chega às 523,9 mil pessoas, sendo a taxa de desemprego oficial de 10,1%. A esta percentagem devemos acrescentar os inativos à procura de emprego mas não disponíveis (seja por motivos de saúde ou outros), com os inativos disponíveis mas que não procuram emprego (por falta de ofertas de trabalho dignas, por exemplo) nem com o subemprego a tempo parcial que deixa o trabalhador em condições precárias.

Se os dados de desemprego oficial contassem com a população inativa e o desemprego disfarçado (as 218,9 mil pessoas a tempo parcial), teríamos uma taxa de desemprego real de 19%, em vez dos 10,1% apresentados pelo INE. Um desemprego real de 19% significa que Portugal tinha no 1.º trimestre de 2017 quase um milhão de desempregados.

Do lado da precariedade, olhando ainda para os números do INE sobre o 1.º trimestre de 2017, contam-se 681,4 mil pessoas com contratos a termo e 135,7 mil com contratos outros que não os sem termo. Há ainda 782,4 mil pessoas a trabalhar por conta própria: isto é, a recibos verdes. De acordo com o trabalho dos Precários Inflexíveis e com base no relatório da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) de 2014, nesse ano contavam-se cerca de 700

mil falsos recibos verdes. Assim, para além do desemprego podemos considerar que existem em Portugal mais de um milhão e meio de pessoas que trabalham em situação precária.

Mesmo sem contabilizar o trabalho não declarado (clandestino) nem os contratos permanentes com baixos salários, somando as cerca de um milhão (986,1 mil) de pessoas no desemprego com mais de um milhão e meio de precárias e precários, chegamos a um cenário social com

mais de 2,5 milhões de pessoas em situação vulnerável em Portugal.

Considerando uma população ativa real de cerca de 5,4 milhões de pessoas, isto significa que quase metade dela vive sem dignidade, ou por estar no desemprego ou por ter condições laborais precárias.

A campanha “Empregos para o Clima”, através de programas governamentais de criação de empregos dignos e úteis, pode melhorar as vidas destas pessoas, das suas famílias e comunidades. Por isto, a Campanha lançou um relatório detalhado sobre as áreas de intervenção onde se podem e devem criar empregos; prevendo que são necessários criar, pelo menos, 10 000 empregos para o Clima.

Ver relatório completo aqui.

Mais info:  http://www.empregos-clima.pt/relatorio-da-campanha-em-portugal/

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