Falsos recibos verdes a 3€/h no MUDE, abusos continuam no Museu do Design e da Moda | Testemunhos

Partilhamos aqui um testemunho que recebemos, que nos descreve um processo recente para recrutamento de trabalhadores no MUDE, para as funções de “assistente de exposição”.

Alguém que acabou por não entrar, por não aceitar as condições precárias impostas: falsos recibos verdes, pagamento de 3 euros por hora, com a injustificada intermediação da empresa Hospedeiras de Portugal (uma empresa de trabalho temporário, que, neste caso, presta um falso outsourcing).

Além da ausência do contrato de trabalho, alguns trabalhadores falam ainda de desrespeito pelos tempos de descanso ou o simples direito de ir à casa de banho.

O anúncio (ou pdf aqui para que o anúncio não desapareça), divulgado em várias plataformas, oculta oportunamente que o trabalho será desenvolvido no MUDE, uma instituição pública e com especial responsabilidade no cumprimento dos direitos laborais. Assim, vários anos depois da luta de 70 trabalhadores precários no MUDE, que enfrentaram a direcção do museu e a Câmara Municipal de Lisboa, acabando por ser ilegalmente despedidos, a prepotência e o desrespeito pelos direitos dos trabalhadores parece continuar a ser a regra daquela instituição. Esta situação deveria ser esclarecida de imediato pela Câmara Municipal de Lisboa, que tem responsabilidade directa na gestão do museu.

Enviei a candidatura e meia hora depois recebi um telefonema a perguntar se tinha disponibilidade para ir a uma entrevista ainda no próprio dia à tarde. Aceitei. Cheguei ao local, pediram-me que preenchesse uma ficha com as minhas informações e logo a seguir fui recebido numa sala por uma pessoa que me meteu a par de todas as condições de trabalho (3€/h, recibos verdes, part-time semanal + Full time ao fim de semana, duração até Abril), sem nunca me revelar no entanto qual era o museu (vim a descobrir mais tarde ser o MUDE através do Portal Cultural). As condições desagradaram-me mas como estou numa situação complicada ponderei, pois queria começar o ano com algum dinheiro no bolso. Ficou combinado uma segunda entrevista mas desta vez por telefone. Que não aconteceu. E foi depois combinada uma entrevista no mesmo sítio desta vez com a coordenadora do projecto (qual projecto? Não cheguei a saber). Entretanto, no fim de semana – a segunda entrevista era na segunda-feira – recebo um telefonema a perguntar se no outro fim de semana a seguir teria disponibilidade para fazer dois dias (das 11h às 18h) de aprendizagem (para conhecer o espaço, as normas, etc) mas não pago. Disse que no dia da entrevista responderia. Acabei por não ir à segunda entrevista, enviando um email para a Hospedeiras de Portugal dizendo que as condições eram más, precárias e abusivas e não as podia aceitar”.

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