Make our planet great again: Macron abre website de recrutamento de cientistas do clima

trump-macron-20170525-033O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou e cumpriu. Depois do convite informal aos cientistas norte-americanos do clima para se estabelecerem em França e aí desenvolverem o seu trabalho, no seguimento da saída dos EUA do Acordo de Paris sobre alterações climáticas, foi lançado a 8 de Junho o website Make Our Planet Great Again. Dirigido a cientistas, professores, membros de ONG’s e empreendedores, entre outros, o site é uma plataforma de informação e candidatura para quem queira mudar-se e trabalhar na defesa do clima em terras francesas. As bolsas prometem até 1,5 milhões de euros para investigadores com mais de 15 anos de experiência e até 1 milhão de euros para quem tem mais de 2 anos de experiência, durante 4 anos. Para os cidadãos norte-americanos, pouco habituados a um estado social como o que existe na Europa, os franceses fazem questão de clarificar a gratuitidade das escolas públicas e as propinas universitárias muito mais baixas quando comparadas com as americanas.

Este é o contra-ataque da Europa, com Macron na dianteira, à machadada de Donald Trump nas políticas de defesa do clima, em que 195 países assumiram o compromisso de restringir o aquecimento global abaixo de 2ºC. Trump rejeitou o Acordo de Paris alegando ser prejudicial para a economia americana e para os empregos nas indústrias petrolíferas e de outros combustíveis fósseis. Uma política de cegueira visionária, que nega a realidade óbvia do aquecimento global e a prosperidade económica e social que a indústria e os empregos no setor das energias renováveis já trazem nos dias de hoje. Muitas grandes empresas norte-americanas, incluindo petrolíferas – como a ExxonMobil, a maior do mundo –, já manifestaram o seu desacordo pela saída de Paris.

No entanto, a iniciativa de Emmanuel Macron já mereceu a contestação dos cientistas franceses, que reclamam maior financiamento e melhores condições para os trabalhadores da ciência em França. Defendem que, para França se colocar na vanguarda da investigação científica, é necessário resolver primeiro os problemas de subfinanciamento dos laboratórios franceses e só depois receber a colaboração de cientistas estrangeiros.

De facto, está ainda por desvendar o número de bolsas que o governo francês tenciona atribuir a cientistas estrangeiros, de onde provém o financiamento ou como serão afetados os investigadores que já trabalham em França, incluindo noutras áreas que não as alterações climáticas. A grande aposta francesa em matéria de energia nas últimas décadas tem sido o nuclear e não se sabe ainda que lugar têm as energias renováveis na estratégia energética de Macron. Além de que o atual presidente francês foi o rosto da reforma laboral durante a presidência de Hollande que levou ao expoente máximo a flexissegurança como forma de desregulação do mercado laboral, em que os trabalhadores perderam direitos conquistados há décadas e se viram à mercê de regras ditadas por empresas individuais em detrimento de acordos setoriais.

Perante a estratégia destrutiva e inimiga do clima de Donald Trump, a alternativa amistosa que Emmanuel Macron, ou qualquer outro, se esforce por apresentar parecerá sempre bastante sedutora. Contudo, ainda não é claro se o website de Macron não passará de uma manobra de propaganda, uma vez que parece não existirem objetivos concretos quanto a redução de emissão de gases com efeito de estufa nem tão pouco garantias de que o recrutamento de cientistas seja algo mais do que atribuição de bolsas de precariedade.

Notícias: Science, Politico, Business Insider

 

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