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precariosinflexiveis Setembro 14, 2007

Começa a tornar-se difícil viver e trabalhar num dos países mais violentos da europa, Portugal. A violência com que lidamos diariamente, a violência das mentiras e das agressões de que somos alvo torna-nos nalguma coisa entre seres altamente reprimidos do ponto de vista social e uns seres potencialmente instáveis do ponto de vista comportamental. Isto, como é óbvio, não vai dar bom resultado…

A flexibilidade do ministro Vieira da Silva: O ministro do trabalho já nos habitou à sua incontinência verbal e mental, e, mais uma vez, demonstrou claramente a sua posição altamente flexível quanto à flexigurança; veio este senhor respeitável ministro defender, no âmbito da presidência portuguesa da união europeia, que as opções que restam aos trabalhadores são: ou escolhemos a flexibilidade à maluca, ou escolhemos a flexibilidade à maluca mas com gravata… A oposição é entre uma flexibilidade controlada, gerida, partilhada, ou uma flexibilidade selvagem…”. É à escolha senhor freguês, quer flexibilidade ou flexibilidade?

A ameça: já nos vamos habituando também as ameaças constantes. Diz então o senhor ministro-para que ninguém se atreva a pensar em alternativas-“Se não construirmos essa adaptabilidade, por vezes a alternativa é quebrar essas relações”, dando origem “a mais desemprego e menos investimento”. OK! Entendidos! É portanto, flexibilidade ou flexibilidade, porque se eu não aceitar ainda fico sem emprego. Acho que percebemos a mensagem senhor Vieirinha.

As justificações: “A economia precisa de flexibilidade” – esta frase enigmática deve querer dizer alguma coisa. Ele passou então a explicar: é uma forma de procurar “renovar a capacidade de adaptação económica das nossas empresas e das nossas economias perante os desafios estruturais que elas enfrentam.” Concordamos nisso! O problema é que a cura só vai agravar aquilo que se designa por problemas estruturais, porque, a cura não foi pensada para esse problema, mas sim para continuar a manter os lucros brutais dos accionistas das empresas privadas, dos bancos e das empresas que já foram públicas (e que já agora, podem voltar a ser, se nós quisermos). É preciso no fundo, arranjar forma de meter o estado a custear as despesas sociais do desemprego e de uma nova vaga de desempregados qualificados e não qualificados para que as empresas possam através deste modelo luminoso fazer gerar dividendos gordinhos para os gulosos “gestores”, “administradores” e outros que tal.

O verdadeiro motivo: Tal como referi no ínicio deste comentário, esta desigualdade social e violência diária não vai dar bom resultado. Mas como não fomos só nós que reparámos nisso, alguém se lembrou de que seria muito positivo segurar os impulsos sociais de alguns através da mão do estado, ou melhor, do dinheiro do estado. A flexigurança assegura através dos meios do estado, uma protecção social mínima às suas vítimas. Eles sabem perfeitamente que a flexigurança vai aumentar o desemprego e a insatisfação social, por isso, precisam antes de mais:

de nos dizer que não há alternativas. Mentira: os problemas nas empresas portuguesas estão associados, como alguns estudos internacionais apontam, para o elevado nível de corrupção na economia portuguesa e para os incompetentes responsáveis, empresários e administradores avessos à modernização e formação. Culminando com uma rede imoral e corrosiva de ligações entre responsáveis públicos e privados.

de nos dizer que o estado irá assegurar a maior procura de protecção social. Meia-Mentira: o estado vai assegurar um mínimo de protecção social que não será mais do que um incentivo para que as pessoas aceitem qualquer oferta de trabalho, por piores condições que se lhes coloquem.

de nos dizer que se não aceitarmos a flexigurança vai aumentar ainda mais o desemprego. Mentira: Eles precisam de quem trabalhe para eles.

Termino deixando um excerto de um texto de um economista chamado Eugénio Rosa e alguns números para que se verifique se é possível dizer que há um problema de produtividade real ou não:”Segundo um estudo publicado pelo INE, em Portugal os 10% mais ricos da população recebem mais rendimento do que 50% da população. E nos últimos anos esta situação agravou-se. Segundo o Eurostat, entre 2001 e 2004, o número de vezes que o rendimento dos 20% mais ricos da população é superior ao dos 20% mais pobres aumentou, em Portugal, de 6,5 para 7,2 (portanto + 0,7), enquanto a média dos 25 países da União Europeia cresceu de 4,5 para 4,8 (portanto +0,3). Como consequência, a desigualdade na repartição do rendimento no nosso País que já era elevada em 2001 (ano de inicio da crise económica em Portugal), quando a comparamos com a média comunitária, aumentou ainda mais pois a diferença passou de 2 para 2,4.

Entre 1996 e 2004, de acordo com o Eurostat, os custos com o trabalho em Portugal passaram de 42,1% da média da União Europeia para apenas 39,8%. E segundo a OCDE, entre 2000 e 2005, os ganhos reais dos trabalhadores da Industria em Portugal registaram um aumento médio de apenas 1,7%, enquanto durante o mesmo período em todos os países da OCDE o aumento foi de 17% e, nos países da Europa pertencentes à OCDE, o crescimento atingiu em média 18,9%. Em 2006, também segundo a OCDE, a situação dos trabalhadores portugueses continuou-se a agravar pois, entre Julho de 2005 e Julho de 2006, os seus ganhos reais registaram uma diminuição de -1,8%, enquanto nos países da OCDE, incluindo os da Europa, verificou-se um crescimento que atingiu 2,5%.”

Perante este cenário de grotesca desigualdade (para não lhe chamar usurpação) poderemos dizer com convicção que há um problema de falta de produtividade no país e que a flexigurança é o caminho a seguir?

rUImAIA

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