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Precarios Inflexiveis Julho 23, 2014

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) quer introduzir alterações à avaliação em curso das unidades de investigação pela FCT e considera que o processo ainda vai a tempo de ser corrigido, apesar das intensas críticas que se têm ouvido e multiplicado ao longo das últimas semanas. Para isso, pediu uma reunião com o presidente da fundação, Miguel Seabra, enquanto decorre o período de análise das reclamações (audiência prévia).

O CRUP defende a introdução de duas alterações no processo de avaliação, permitindo a passagem à segunda fase das unidades de investigação que tenham sido classificadas com Excelente ou Muito Bom na última avaliação da FCT, em 2007, bem como dos laboratórios que, na primeira fase da avaliação em curso tenham tido uma classificação de, pelo menos, 14.

Num memorando divulgado esta segunda-feira, o CRUP demonstra “grande preocupação” com a forma como o processo tem vindo a desenrolar-se e diz esperar que seja concluído “de forma credível e robusta”, num quadro de “independência, de garantia de qualidade e de transparência”. A exclusão de alguns centros de investigação tem implicações para as estratégias de cada instituição, defende o CRUP.

Carta dos conselhos científicos da FCT aponta “inconsistências”

Os presidentes dos quatro conselhos científicos da FCT enviaram uma carta conjunta ao presidente da fundação, na qual apontam “inconsistências” na avaliação, como a existência de “maiores disparidades [nas notas] entre avaliadores do que é corrente nestas avaliações”. João Carlos Marques, João Costa, Jorge Soares e Manuel Carrondo pedem também algumas clarificações à avaliação em curso, nomeadamente, sobre a possibilidade de haver unidades de investigação que passaram à segunda fase – tiveram, à partida, uma classificação superior a Bom – mas que, em teoria, podem acabar por ter uma nota inferior.

Na mesma carta, citada pelo Público, são feitos alertas em relação ao futuro do sistema científico português, sublinhando o facto de haver áreas disciplinares em que não houve nenhuma unidade de investigação aprovada e que, por isso, correm o risco de desaparecer.

Contrato entre FCT e ESF esconde critérios da segunda fase de avaliação

Com a recente divulgação do contrato celebrado entre a FCT e a European Science Foundation (ESF), ficámos a saber que desde logo estava estipulado que metade das unidades de investigação nacionais não iria receber financiamento estratégico. Ou seja, ficámos a saber o que já se suspeitava atendendo aos resultados da primeira fase de avaliação dos centros: o rigor e a excelência não são os critérios que prevalecem, mas sim as quotas estabelecidas pelo Governo e pela FCT com o objetivo de promover uma política de terra queimada para a ciência portuguesa e assim condenar a um não-futuro mais de uma centena de centros e milhares de investigadores.

Contudo, o processo mantém-se inadmissivelmente obscuro. No documento do contrato entre a FCT e a ESF, disponibilizado no site da FCT, os parágrafos onde os critérios e procedimentos da segunda fase da avaliação estariam descritos foram substituídos por um (…)
(ver imagem, página 14 do PDF do contrato)

contracto fct_esf

Provavelmente este sinal esconde o golpe da solução final, preparada por Crato e Seabra, para a ciência portuguesa. Avaliando-se a excelência e o rigor científico e democrático destes responsáveis, a conclusão é inequívoca: demissão.

 

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