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precariosinflexiveis Fevereiro 22, 2011
Sempre achei um piadão àquelas frases que parece bem as pessoas terem na ponta da língua, como lições de existência, tipo: “O dinheiro não traz felicidade”. Nunca vi alguém proferir esta última que não estivesse confortavelmente instalado na vida. A não ser, eventualmente, um daqueles eremitas num longínquo cume tibetano: acredito plenamente que para alguém que vive em beatitude zen, pouco é de facto necessário para ser feliz. Se eu vivesse sozinha, sem ninguém que de mim dependesse, talvez fosse essa – ou outra parecida – a minha opção: partir para um país distante, procurar a paz e a serenidade no silêncio e aliviar a minha sede de absoluto na comunhão mística com a natureza. Comer ervinhas dos campos, pastar ovelhas e escrever livros que tornariam o meu nome património da humanidade, que me valeriam um nobel quando eu fosse muito velhinha e sábia e já só dormisse quatro horas por noite e sobrevivesse a chá e a papas de arroz. Depois fariam reportagens comigo ao pé das árvores centenárias e a passear os meus cães à beira-mar mostrando como a vida campestre e frugal dá saúde e faz bem à criatividade e era feliz para sempre.

Só que eu cresci em Portugal e meti na minha teimosa cabecinha esta ideia de ser jornalista, talvez porque, quando era miúda, me tivessem convencido que tinha jeito para estas coisas da escrita, que até era uma gaiata curiosa, com boa memória, facilidade de relacionamento, capacidade de análise… enfim, toda uma série de características que pareciam traçar-me um futuro brilhante, não fora o feitio algo rebelde. Mas até isso, diziam alguns, era bom porque o jornalista não se queria acomodado e obediente mas sim crítico e acutilante.

Não boto esta posta para contar a história da minha vida mas acontece que o meu futuro não foi brilhante. Ou melhor: o meu futuro foi sempre brilhante, o presente é que sempre tardou em chegar. E quando chegou nunca foi sob a forma de um contrato fantástico, nem sequer sob a forma de um contrato. No jornalismo propriamente dito não sei o que isso seja desde que, em 1998, logo após ter sido mãe pela primeira vez, me foi proposta uma “rescisão amigável”. Claro que, embora na altura ainda tivesse muitas ilusões sobre este mundo, eu sabia muito bem que aquela proposta estava longe de ser amigável, era apenas uma forma pouco subtil de me dizerem “agora ou sais a bem ou sais a mal mais tarde e se escolheres sair a mal mais tarde a malta vai-to fazer sentir na pele, mas, claro, tu é que sabes…”.


Claro que eu podia ter batido o pé e ficado. Claro que podia ter ido para a prateleira – que perspectiva magnífica para uma miúda de 28 anos que tinha um futuro brilhante, um curriculo bastante jeitoso e um bebé de três meses numa casa acabadinha de comprar, não é? Escusado será dizer que aceitei. Escusado será dizer que até hoje, dia 21 de Fevereiro de 2011, praticamente 13 anos passados, nunca mais voltei a ter um contrato de trabalho como jornalista, apesar de ter continuado sempre a escrever e ter publicado em imensos jornais e revistas, alguns dos quais já desaparecidos. E de ter traduzido e feito “conteúdos” e revisões e tirado cursos disto e daquilo e de ter dado aulas durante 14 anos na mesma instituição que hoje me sub-paga por uma cadeira semestral(mente) mas exige a minha evolução académica e a minha dedicação total.

Mas a história que venho aqui contar não é a do meu futuro brilhante, o tal do qual continuo à espera até agora. É a de uma entrevista. Um simples exemplo para ilustrar uma realidade sobre a qual todos se acham no direito de mandar bitaites sem fazerem a mínima ideia daquilo que estão a falar. Um dia, creio que por volta de 2008 (ou talvez tenha sido 2007, o que para o caso não faz grande diferença), estava eu a trabalhar a tempo inteiro para um jornal diário deste país, embora a recibos verdes. Os editores que coordenavam o meu trabalho faziam o favor de me deixar trabalhar na redacção, com os outros jornalistas, embora o lugar do colaborador, como toda a gente sabe, seja em casa, entre as suas quatro paredes, a usar os seus recursos e a gastar o seu teclado e papel (higiénico entre outros), mas adiante. Era, portanto, uma colaboradora privilegiada que quase quase parecia uma jornalista igual às outras, não fosse o pormenor de não ter um vencimento certo e de estar dependente do número de páginas publicadas para saber a quantia que iria colocar no recibo por volta do dia 15 para receber até ao dia 15 do mês seguinte. E um dia encomendaram-me uma entrevista. Tratava-se de uma personagem bastante mediática, com quem eu marquei para uma 5ª à tarde na estação de TV onde essa pessoa trabalhava – e ainda trabalha – e onde esperei cerca de duas horas e meia por ela, no caso, um ele. Ao fim destas duas horas e meia, o senhor apareceu, conversámos durante à vontade mais duas horas, e no dia seguinte sexta-feira passei o dia todo a ‘desgravar’ a bendita entrevista. 20 mil caracteres que ainda me iam dar água pela barba na segunda-feira para editar já que o espaço de que dispunha ia obrigar-me a cortar pelo menos metade da conversa.

Só que nunca cheguei a fazê-lo. Quando na segunda cheguei ao jornal levei logo uma rabecada da editora. Que não se admitia, como é que era possível eu não ter perguntado ao senhor se não tinha dado uma entrevista para a concorrência?! Durante o fim-de-semana tinha saído uma entrevista com o mesmo senhor no jornal inimigo. Essa entrevista – soube eu mais tarde – havia sido feita cerca de 6 meses antes e saíra naquele domingo em plena silly season por pura coincidência e, claro, a culpada era eu. E como castigo, a entrevista não foi publicada e obviamente não foi paga. Até hoje. Tal como dezenas de trabalhos que ficaram por publicar na posse de editores/as da mesma publicação e de outros que, pelos mais diversos motivos, os guardaram para as calendas gregas ou simplesmente se esqueceram que os tinham na gaveta. Ou os substituíram por publicidade.

Quando na sexta-feira ouvi o senhor Vicente Jorge Silva dizer no Expresso da Meia-Noite que a precariedade é o preço a pagar pela liberdade lembrei-me deste singelo episódio. E quando vejo colegas, amigos meus, jornalistas a concordarem com o senhor, só lhes posso dizer: amigos, que deus nosso senhor vos perdoe, vocês não sabem o que estão a dizer. E espero que nunca saibam. Que se isto é liberdade vou já apanhar o avião para o Tibete. Assim que me passar esta amigdalite que, diga-se, já me está a custar umas quantas idas ao supermercado. Coisas de gente livre.

Myriam Zaluar

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9 thoughts on “Eu não sou parva mas também não sou livre. Rasca nunca fui mas francamente começa a faltar-me a paciência

  1. Boa tarde estimados Bloguistas! Vivo fora de Portugal porque recusei aceitar o nível de vida que iria ter se não tivesse deixado o país. Já vivo há mais de 20 anos na Alemanha e profissionalmente nunca me arrependi de o ter feito. No entanto o estado em que o meu país actualmente se encontra não me deixa indiferente.

    Inciei uma petição contra o abuso na “doação de postos de trabalho na função pública”, mas como não vivo em Portugal a divulgação desta petição está a torna-se um tanto difícil. Por isso venho aqui pedir o vosso apoio, não só apelando que assinem, mas também que a DIVULGUEM. Eu sei que este acção não vai tirar Portugal da crise, mas quem sabe, talvez muitas acções do género, ajudarão-nos a dar os primeiros passos na direcção correcta.

    Aqui a exposição do problema e petição:

    http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=ARTIGO47

    e aqui pode assinar:

    http://www.peticaopublica.com/PeticaoAssinar.aspx?pi=ARTIGO47

    Caso assinem, não se esqueçam de validar a vossa assinatura através do e-mail que irão receber após preenchimento do boletim.

    PARTICIPA!!!!

    Muito obrigada!!!!

    IM

  2. Não querendo parecer um incentivador de violência – sou uma pessoa extremamente pacífica, que detesta violência física e confusões -, penso que isto não vai lá mais com conversas, infelizmente.

    Temos um Presidente da República que indica que os media em Portugal são «demasiado suaves»; sindicalistas que apenas se preocupam com a malta da Função Pública – que, diga-se, até deviam era ter vergonha de fazer greves, sobretudo, quando falamos de certos sectores do funcionalismo público; um Primeiro-Ministro que representa, por excelência, a medíocridade política que temos tido desde o 25 de Abril. Está envolvido em N casos dúbios, e vai à TV dizer que tem orgulho no seu melhor amigo, sendo que esse mesmo amigo vai à TV dizer que só se tornou alguém na vida, devido à «engenharia social»; etc., etc., etc.

    Isto não é um país: é um circo onde os «palhaços» controlam todo o espectáculo e passam os lugares de pais para filhos.

    Isto não vai lá com conversas. Isto vai lá com uma paralisação por vários dias e por acções agressivas e de violência em massa. Isto só lá vai quando os políticos tiverem medo e perderem o controlo da população. Vejam que nos fóruns dos canais de notícias, as pessoas pedem um ditador. É incrível. As pessoas não têm noção do que dizem e do que é viver sem «liberdade». Mas a verdade é que desde o 25 de Abril, vivemos, também nós, numa falsa «liberdade», onde não se pode criticar alguém, pois corre-se o risco de ser despedido e ser prejudicado mais tarde; vivemos num país de acriticismo reinante. Inclusive – ou melhor dizendo, sobretudo – no sistema de ensino, que é o local, onde, por excelência, se devia ensinar o espírito crítico. O ensino em Portugal é uma vergonha. Também ele subjugado a interesses. Oiçam: a nossa língua foi prostituída a interesses financeiros. O Acordo Ortográfico, resulta de interesses por detrás de um desejo de mercado ortográfico orgânico. Que raio de país é este que prostitui aquilo que de mais único tem: a sua língua.

    Chega! Está na altura de verem o que é uma revolução «à sério». Não é com cravos: é com pedras da calçada.

  3. Uma determinada docente do ICS-UL, incentivava os alunos a estudar temas relativos ao Brasil – ao invés de estudar aquilo que eles queriam -, pois, dizia ela: «o Brasil é que vende e é o futuro». E o mais incrível, é que ela «minava» completamente aqueles que queriam estudar outros temas nada relativos ao Brasil.

    Isto é uma vergonha.

    Vocês entendem isto? Este país é uma farsa. Todos têm o pé preso a algures. Tenho pena de quem, como eu, tem enorme potencial, mas tem de ficar preso neste país de merda, pois não tem dinheiro para emigrar e ir estudar para um país decente.

  4. Como é que se admite que os juris de atribuição de bolsas da FCT, por exemplo, julguem colegas de profissão?

    Oiçam: vocês têm docentes do ISCTE e do ICS, a julgar se os seus colegas devem receber bolsa para determinado tema ou não. Mas que vergonha é esta?

    Tu és meu colega há vinte anos, é óbvio que eu não vou negar uma bolsa para que possas investigar; pois amanhã podes ser tu juri, e eu também quero que tu aproves a minha.

    Isto é uma v-e-r-g-o-n-h-a!

    Nada em Portugal é real. É tudo um compadrio autêntico, onde todos se conhecem uns aos outros; devem favores uns aos outros; e vão todos bajular-se uns aos outros nos lançamentos de livros que cada um faz. Porquê? Pq precisam uns dos outros e é assim que se criam «ídolos» intelectuais nas Academia em Portugal. «Ídolos» que padecem de raquitismo intelectual.

    A Universidade está cheia de gente que ocupa o mesmo lugar há vinte anos e que não tem produção académica nem para professor do secundário, quanto mais de universidade. E digo das públicas.

    Merda de país.

  5. Ora e quem haveria de julgar a atribuição de uma bolsa da FCT? Se estas são atribuidas pelo potencial investigativo duma determinada area? (e eventualmente algum compadrio) a questão não é facil.
    Agora que o trabalho académico em portugal se resume a muito pouco é pura verdade.
    Casos como o da filha do antigo chefe do IPP são muitos mais habituais do que se pensa…

  6. O paradigma do acriticismo académico em Portugal. Isto é absolutamente real: O docente «A» e «B» são docentes da mesma universidade e departamento, numa grande e respeitada universidade pública, portuguesa, de Lisboa; são ambos da mesma geração; ambos figuras públicas fora do meio académico; e ambos bastante respeitados dentro e fora do seu meio disciplinar.

    O docente «A» publicou uma obra que, tal como grande parte das obras académicas em Portugal, fez o circuito habitual: apresentações em livrarias, onde aparecem, por norma, sempre as mesmas pessoas, nomeadamente, docentes universitários da área (ou outros colegas de áreas distintas) e os fãs / seguidores; segue-se a crítica em revista académica, onde a obra é quase sempre considerada bestial, nada a apontar de mau, e tudo «cheira» a água das rosas e é fruto de uma genialidade analítica; e, por fim, se tiver sorte, a obra chega a ser alvo de uma crítica em jornal ou revista não pertencente ao meio, mas, apesar de ser uma crítica mais «geral», também nada de mau se aponta.

    O docente «B» lê a obra e acha-a particularmente má e incongruente. O docente «B» certamente não deve ter lido a mesma obra, visto que toda a gente a considera genial, mas ele não. Enfim, como académico que é, estuda outra vez a obra do docente «A» e apresenta uma crítica fundamentada, onde demonstra, ponto por ponto, incongruências na obra do docente «A», e publica essa mesma crítica negativa à obra do docente «A».

    Ao saber de tal facto, e ao ler a crítica do docente «B», o docente «A» fica furioso, reclama, reclama, e leva a situação a Conselho Científico do departamento onde trabalha, de modo a pedir explicações e a demandar o despedimento do docente «B» ou a puni-lo de alguma forma. Gera-se um mau estar e culmina numa paz podre que se mantém há anos. Moral da história: o docente «B» ficou com medo de perder o emprego e diz que deixou de analisar mais obras «made in Portugal».

    O acto do docente «A» representa a típica mentalidade acrítica existente em Portugal. Em Portugal mata-se a crítica, tentando criar em torno das realidades, uma situação positiva, ou seja, tentando aglomerar em torno da minha pessoa todo um meio intelectual de uma determinada área, e cultivando essas mesmas relações de diversas formas, eu acabo por impedir que críticas negativas me sejam feitas, pois toda a gente, ou, pelo menos, as mais importantes pessoas de um determinado meio, eu conheço-as, dou-me bem com elas, e tudo corre bem: hoje elas dão-me uma boa «review» e aparecem no meu lançamento, amanhã eu retribuo.

  7. E nisto forma-se um círculo, onde para se ter sucesso em Portugal, ser bem visto, e bem sucedido, destas uma: ou és realmente muito bom em Portugal, de tal modo que é impossível prejudicar-te a vida; ou estudas lá fora, crias um nome e carreira por ti, onde te reconhecem o mérito primeiro lá fora, e depois são obrigados cá a fazê-lo também, visto que és muito bom; ou tens a última opção: tens de cair nas graças da «elite». E para isso acontecer, ou algum dos que dela fazem parte, engraça contigo, ou, também tu passas a ir às livrarias e tentas entrar e fazer parte do «sistema» de bajulação.

    Vocês já pensaram por que razão é que em Portugal raramente se vê confrontos intelectuais no espaço público? Eu não digo debates entre comentadores com diferentes prismas da realidade. Eu digo, por exemplo, confrontos mesmo duros, pesados, onde se tenta desmascarar toda a obra de uma pessoa e se diz simplesmente que: não tem qualidade; mais um livro inócuo; é medíocre; etc. Em Portugal, durante a Primeira República, existia debates e confrontos intelectuais sérios. Hoje em dia, não. Tudo são bons livros; bons artigos académicos; bons ensaios; boa música; bom cinema; etc. Tudo é bom. Não é tudo bom, não, Portugal não é o país onde tudo o que se produz a nível cultural, nomeadamente, escrito, é bom. Muito pelo contrário. Cada vez mais tudo aquilo que se produz é uma autêntica merda, mas, infelizmente, como somos um país demasiado pequeno, onde toda a gente se conhece uns aos outros, e deve favores uns aos outros, basta cair na graça de três ou quatro – ou fazer um telefonema / entrar em contacto com certas pessoas e pedir um favor de forma indirecta – e o «alguém» que nada é, torna-se, rapidamente, alguém.

    Lanço-vos o repto. Peguem numa revista portuguesa de ciências sociais / humanidades. Muito dificilmente vão encontrar artigos críticos onde exista resposta e contra-resposta; artigos onde se tenta desconstruir o que lá está. Em suma: em Portugal não existe sentido epistemológico / hermenêutico; debates intelectuais confrontacionais; tudo é perfeito.

    E não deveria ser a universidade o sítio por excelência de incentivo à crítica e ao raciocínio? Pois não é, a universidade é apenas o espelho daquilo que é o mundo fora dela. Um sítio de compadrio; de cunhas; do «sistema»; do nacional porreirismo; do «porreiro, pá.»

    Para todos aqueles que tiveram a possibilidade de estudar na universidade, certamente tiveram docentes aos quais vos apeteceu perguntar, como é que raio se tornaram docentes, pois não têm nem qualidade, nem trabalho intelectual que mereça o lugar que ocupam. Experimentem perguntar a esses mesmos docentes, como é que raio eles ocupam o lugar que ocupam. De certeza que a partir desse dia a vossa vida começa a andar para trás, pois o grupo todo – de docentes – se une, de forma quase corporativa, para vos minar o caminho. Falo por experiência própria. E o que se passa aqui, no ensino, é o que se passa no mundo lá fora: «não questiones, cala-te e come, se é que queres continuar a comer». Pois é, mas, hoje em dia, os jovens têm sangue na guelra, e não estão para aceitar esta merda de situações: aceitar por aceitar. Já não somos o Portugal em que só os burgueses tinham acesso ao estatuto e os outros eram merda. Agora também todos nós podemos ter aquilo que nos diferenciava de quem tinha estatuto. E é precisamente agora, que começamos a questionar a realidade que os nossos pais não podiam fazer, pois não tinham educação. Nós temos educação. E temos espírito crítico. Não podemos ser instruídos e obtusos. Agora já pensamos e bastante bem, para ver a merda que nos andam a fazer. Nós somos tipo balão: vamos enchendo, enchendo. Mas há muito que ameaça arrebentar. Quando arrebentar de vez, o balão que embata bem na tromba de quem andado a destruir este país; aproveitar-se dele; e a destruir toda uma geração de pessoas que podiam ser – e querem ser – alguém.

    Nunca é tarde para mudar. Portugal é fértil em pedras da calçada.

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