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Precarios Inflexiveis Novembro 19, 2014

A degradação do Ensino Superior e o seu empobrecimento também se faz da destruição da contratação e da utilização de fundos destinados à investigação para outros efeitos. O Instituto Superior de Agronomia divulga no site ERA, de mobilidade de investigadores a nível internacional, um anúncio de Bolsa de Técnico de Investigação sem Grau Académico para contratar um pedreiro durante um ano. Os estágios e as bolsas utilizados para produzir o contrário daquilo a que se destinam pervertem o seu objectivo na contínua precarização do trabalho.

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Texto do anúncio:

BOLSA DE TÉCNICO DE INVESTIGAÇÃO SEM GRAU ACDÉMICO (1 VAGA) Encontra-se aberto Concurso para atribuição de uma Bolsa de Técnico de Investigação sem grau académico do Instituto Superior de Agronomia, nas seguintes condições: Área Cientifica: Ciências Agrárias Requisitos de admissão: – Experiência comprovada em trabalhos de pedreiro / estucador; – Conhecimento de materiais de construção e sua utilização adequada na reabilitação, reparação e manutenção de edifícios; – Mínimo 5 anos de experiência em trabalhos de reabilitação, reparação e manutenção de estruturas edificadas de apoio à investigação e ao ensino das ciências agrárias. Plano de Trabalho/Actividades a realizar: Cumprir eficazmente e com autonomia o plano de atividades da equipa do Piquete de Manutenção nos trabalhos relacionadas com os espaços construídos e outras solicitações de outros serviços do ISA. Os trabalhos serão: reabilitação, reparação e manutenção de estruturas edificadas de apoio à investigação e ao ensino das ciências agrárias.

pedreiroISA

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18 thoughts on “I.S. Agronomia usa bolsa de investigação para contratar pedreiros

  1. Não me parece que esses fundos sejam mesmo desviados de investigação – ou melhor são, mas esse processo é totalmente legal (ao contrário do que faz crer a notícia). Na faculdade onde trabalho oferecem bolsas de investigação para se fazer trabalho de secretariado, electricista, carpinteiro… Isto é, neste caso, bolsa de investigação é só um mero título (à falta de melhor), e não implica que o dinheiro tenha sido desviado de forma ilícita de projectos de investigação, porque a serem contratados pela própria faculdade, isso está previsto no orçamento da mesma, e o dinheiro da faculdade provém de vários financiadores – estado, projectos, propinas, aluguer de espaços para conferências e congressos…. e em TODOS os projectos de investigação (seja aqui ou na Áustria ou na Inglaterra, ou no outro lado do mundo), existe de qualquer forma uma componente no orçamento chamada “overheads” (ou gastos gerais) (na minha faculdade é 20% do orçamento de um projecto – e já se sabe isto previamente a uma candidatura, aliás todos os investigadores da faculdade têm que saber isto antes de se candidatarem um projecto a financiamento) que vai automaticamente para a faculdade, com vários fins – nomeadamente o financiamento de custos administrativos e de utilização das infra-estruturas científicas da entidades de gestão e de acolhimento, tais como água, electricidade, gás, segurança, manutenção de edifícios e laboratórios, salários dos técnicos envolvidos na gestão, etc. Ou seja, o jornalista que escreveu a notícia não deve ter feito mto bem o trabalho de casa…

    1. Marta disse:Boa tarde!eu tenho seis filhos,um maior de idade eos ourots Se3o menores de dezesseis anos. Um e portador de anemia falciforme e pretendo da entrada na prevideancia social para um benefedcio para ele.eu quero saber se recebendo o tal eu perderei o bolsa famedlia, ou pela quantidade de pessoas que moram na mesma casa isso nao sere1 possedvel? Eu gostaria muito de uma resposta.obrigado(a)

  2. As notícias devem ser dadas com rigor, o que obviamente nāo é o caso desta. Nāo se trata duma bolsa de investigaçāo mas sim de técnico de investigaçāo. Nāo é paga com “fundos de investigaçāo” mas sim com receitas próprias. É para candidatos sem grau académico, ou seja, provavelmente com apenas a escolaridade mínima. Destina-se a um trabalho temporário de recuperaçāo de espaços de investigaçāo.
    Estas bolsas estāo previstas no Regulamento da FCT, nāo se inventou nada de novo.
    A pergunta deveria ser: é melhor dar trabalho a alguém durante um ano ou deixar mais uma pessoa no desemprego? É que uma pessoa com estas características nāo encontra emprego em Portugal nos dias de hoje. E se tiver uma certa idade nāo arranja emprego em lado nenhum.

    1. Boa tarde professora, em “defesa” do site… Isto também não é propriamente um site de noticias. Quem realmente quer ver noticias que interessem e com algum grau de credibilidade vai ao Expresso, Publico e afins 😉

  3. Cara Senhora Presidente do ISA,
    é desgosto ler o seu comentário, independentemente claro, de ter de defender a instituição que preside. Ao invés de “corrigir” a informação dada por um lado, e por outro de “justificar” e de “deixar” a pergunta se é ” melhor dar trabalho a alguém durante um ano ou deixar mais uma pessoa no desemprego?” deveria activamente lutar e encetar todos os esforços possíveis para uma Presidente, com o intuito de dignificar os seus colaboradores, sim esses “falsos bolseiros” que todos os dias dão o seu melhor e que deveriam ser integrados nos quadros da sua instituição ou ter um contrato de trabalho com todos os direitos e deveres inerentes a um contrato em FUNÇÕES PÚBLICAS. Como deverá saber, as bolsas são de valores muito baixos, não há protecção social, não recebem subsídio de Natal ou de férias, não tem direito a baixa médica. Isto senhora Presidente é ter um trabalhador qualificado pago ao preço da chuva! E a senhora Presidente ainda vem comentar…

  4. Concordo com a Sra Prof Amarilis de Varennes. Pode parecer caricato mas é legal e moralmente válido e lógico face às alternativas e ao modo de funcionamento actual. Utilizar os recursos possíveis no momento para resolver problemas urgentes não implica que não se lute por outro contexto mais adequado. Um pouco de realismo e calma!

  5. Prof. Doutora Amarilis de Varennes
    Presidente do Instituto Superior de Agronomia (ISA)

    Estimada Professora:
    Lamento verificar que tenta defender o indefensável: a contratação de trabalhadores através de bolsas de investigação. Uma “bolsa de técnico de investigação” (BTI) é um tipo de bolsa de investigação — ver, por favor, Regulamento de Bolsas da FCT (https://www.fct.pt/apoios/bolsas/regulamento.phtml) e Regulamento de Bolsas de Investigação da Universidade de Lisboa (http://www.isa.ulisboa.pt/files/site/pub/regulamento_bolsas_investigacao_ulisboa.pdf).
    Sendo que uma BTI é uma bolsa de investigação está, por isso, abrangida pelo Estatuto do Bolseiro de Investigação (EBI: Decreto-Lei n.º 202/2012, actualizado pelos Decreto-Lei n.º 233/2012, Decreto-Lei n.º 89/2013, e pela Lei n.º 12/2013). Ver: https://www.fct.pt/apoios/bolsas/estatutobolseiro
    Sugiro, por isso, que consulte a lei para se informar adequadamente sobre o objecto (Artigo 2º do EBI) das bolsas de investigação:
    “Artigo 2º
    Objeto
    1. São abrangidas pelo presente Estatuto as bolsas destinadas a financiar:
    a. Trabalhos de investigação tendentes à obtenção dos graus académicos de mestrado não integrado em áreas estratégicas previamente definidas e de doutoramento, bem como trabalhos de investigação e formação avançada de pós-doutoramento;
    b. Atividades de investigação científica, desenvolvimento tecnológico, experimentação ou transferência de tecnologia e de saber, com caráter de iniciação ou atualização, independentemente do nível de formação do bolseiro;
    c. Atividades de iniciação ou atualização de formação em qualquer área, desenvolvidas pelo próprio, no âmbito de estágio não curricular, nos termos e condições previstas no regulamento de concessão da bolsa, salvo o disposto em lei especial.”
    Como está claro no anúncio desta bolsa destinada a um trabalhador que seja pedreiro, o trabalho que o (falso) bolseiro irá realizar não inclui quaisquer “atividades de investigação científica, desenvolvimento tecnológico, experimentação ou transferência de tecnologia e de saber, com caráter de iniciação ou atualização” ou “atividades de iniciação ou atualização de formação em qualquer área”.
    Para além disso, “os contratos de bolsa não geram relações de natureza jurídico-laboral nem de prestação de serviços” (Artigo 4º do EBI). Portanto, o Instituto Superior de Agronomia pretende contratar um trabalhador, mas não lhe quer dar os direitos previstos pela lei portuguesa (Código do Trabalho) a este mesmo trabalhador.
    Com os melhores cumprimentos,
    Susana Neves

  6. A que ponto este país chegou!!!!!!! Haja algum decoro…. haja vergonha na cara das classes dirigentes.
    Ò tempo volta para trás…. Volta Salazar, estás perdoado… com esta “gente” não vamos a lado nenhum….
    Já começo a ter vergonha de ser português e eu que servi a minha Pátria durante 36 anos, mesmo com o sacrifício da minha própria vida.

  7. Cara Presidente do ISA as respostas também não deveriam ser dadas com a leviandade demonstrada. Estas bolsas estāo previstas no Regulamento da FCT como disse e bem para poderem contornar o facto de terem de contratar. O seu discurso tem um não sei quê de dejá vu qualquer coisa como “se não estão bem aqui sempre podem procurar trabalho no estrangeiro” para além disso é muito fácil passar atestados de estupidez a quem precisa de um ordenado por muito pouco que seja para viver, embora para quem não sabe a maior parte dos contrados no regime de “bolseiros de investigação para apoio à gestão”, são uma forma encontrada para contornar a obrigatoriedade de efectivar um contrato de trabalho, mas claro “uma pessoa com certas características” não levanta problemas, ora eram bolseiros, mais tarde eram pagos a recibos verdes pelo ISA, depois pela ADISA e agora são bolseiros novamente. Percebo agora quando me contavam que esses funcionários eram obrigados a aceitar qualquer proposta; ainda hoje me foi relatado uma situação em que existiu uma reunião entre alguns “bolseiros” que foram informados que a partir de Janeiro iriam receber menos 65€ no ordenado, pelas minhas contas recebendo eles um ordenado à volta dos 635€, passam a receber 570€, descontando a SSocial, temos um ordenado de cerca de 440€, menos alimentação, deslocação, creio não estar enganado se estas pessoas fiquem com menos de 300€ por mês, tentem viver com esse ordenado! Para além disso a forma como as coisas são feitas, pelo que sei e dito pós reunião a argumentação dos responsáveis do ISA perante funcionários, alguns com 15 anos de ISA, baseia-se em coação do próprio, existindo situações em que as propostas eram qualquer coisa como vão passar a receber isto nestas condições, se quiserem muito bem senão terão de avisar com antecedência e ir embora, aliás muitos vão sair, na área dos jardins, das oficinas…Ao vosso dispôr para outros esclarecimentos.

    1. disse:eu ja fiz o cadastro mas ate agora nao recbei nada,porque uns tem direito e outro nao,ja tem mais de um ano que o meu castro foi feito,mas ja vi que a lei nao sao pra todos,so pra alguns,conhee7o pessoas que trabalha e nao ganha pouco e ganha o bole7a familia.porque uns pode e outros nao,so queria uma resposta pra isso.

  8. Vergonhoso. Desde a aplicação dos fundos de I&D para tapar buracos, até aos comentários de palermas, que julgam que as verdadeiras notícias saiem nos jornais da moda.

  9. Caros Senhores não sabia que o Lápis Azul era usado no vosso site, gostaria de saber porquê é que os meus comentários não foram publicados.
    Cumprimentos

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