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precariosinflexiveis Fevereiro 1, 2019

O Sr. Ministro da Ciência e Ensino Superior vem hoje afirmar que não tem “dúvida nenhuma” de que o país está numa fase de “pleno emprego” entre os doutorados. Esta afirmação é no mínimo ofensiva para os mais de 3.500 doutorados que concorreram em fevereiro de 2018 ao concurso da FCT para contratos de trabalho (com duração até 6 anos) e que tiveram a sua candidatura recusada. [Já agora diga-se também que os 500 candidatos aprovados continuam sem assinar contrato, 12 meses depois do concurso]. É também insultuoso para as centenas (ou milhares?) de doutorados que continuam a trabalhar com uma bolsa de investigação, ou, pior ainda, que estão no desemprego (uns com subsídio, muitos sem qualquer apoio).


Não há um levantamento do número de doutorados que não têm atualmente um contrato de trabalho, mas foi assumido por este Ministro o objetivo de celebrar 5.000 contratos financiados pela FCT. Desses 5.000, estão ao dia de hoje, e segundo dados do próprio MCTES, efetivamente celebrados apenas 883 (contratos a termo ao abrigo do célebre DL 57/2016). Ou seja, a 8 meses de terminar o seu mandato, o Governo nem sequer atingiu 20% da meta que se propôs. Mesmo assim, o sr. Ministro, que provavelmente vive num país alternativo, tem a desfaçatez de falar em “pleno emprego” dos doutorados.

 

Podem estar aprovados para financiamento muitos mais contratos (a termo, na vasta maioria, convém relembrar), mas de que serve isso a quem tem contas para pagar todos os meses, e tem que estar um ano ou mais à espera para celebrar o seu contrato?

Com este discurso completamente deslocado da realidade, o ministério devia mudar de designação para “MINISTÉRIO DA FICÇÃO CIENTÍFICA”.

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