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precariosinflexiveis Dezembro 15, 2014

Leacroft GreenO Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos da América decidiu na passada terça-feira que a Amazon tem razão por não querer pagar o tempo em que os seus trabalhadores da fábrica não têm o que fazer apesar de terem sido chamados para trabalhar pela empresa.

O que se passa é que todos os dias os trabalhadores da Amazon são submetidos a uma revista obrigatória para se garantir que não roubam nada dos armazéns. Estas revistas obrigatórias à saída da fábrica demoram mais de 25 minutos no final dos turnos de muitas horas em pé e a correr de um lado para o outro dos armazéns, mas a empresa recusa-se a contratar mais seguranças. Assim, apesar de estarem dentro da empresa, não poderem sair da empresa e a ordem para a revista ser da empresa, os trabalhadores não serão pagos por esses 25 minutos adicionais de trabalho diário.

Mais grave ainda é o precedente que rasga o direito do trabalho nos Estado Unidos que defendia até agora que era trabalho todas as “atividades principais” de uma função, defenindo “principais” como “integrais ou indispensáveis”. Ora neste caso, se a Amazon obriga os trabalhadores à revista que dura 25 minutos, essa atividade é “indispensável” ao trabalho que aquelas pessoas realizam.

A partir de agora outras empresas que considerem que os seus trabalhadores não estão a fazer trabalho mas que obrigam essas pessoas a estarem presentes no local de trabalho podem usar esta decisão do Supremo Americano para não pagar salário aos seus trabalhadores. A redução ao absurdo ajuda-nos a perceber os seus danos: E se um lojista não estiver a vender porque não há clientes na loja? E se um talhante estiver a afiar as facas? E se um operador de call-center estiver à espera de chamadas?

A situação é grave e representa uma vitória para a Amazon, apesar das denúncias de sobre exploração do trabalho e de ser melhor ser sem abrigo que trabalhador da Amazon.

E se o Tratado Transatlântico (TTIP) for aplicado esta regra pode ser aplicada também na Europa. Mais uma razão para recusarmos este acordo feito às escondidas das pessoas.

Notícia aqui.

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21 thoughts on “Supremo Tribunal dos EUA: «Trabalhadores não têm de ser pagos por todo o tempo que trabalham»

  1. Como é costume e era expectável uma comparação absurda entre dificuldades e demoras no abandono do local de trabalho e um trabalhador em horário de trabalho que quer tenha ou não clientes para atender está ao serviço, mas enfim certas pessoas não têm mais que fazer senão entreter-se a distorcer tudo.

      1. Realmente, a distorção foi feia aí. Uma coisa é revistar os empregados para resguardar o patrimônio da empresa, outra coisa é não pagar pelo tempo em que ele está à espera de clientes.

      2. Se leres bem vais ver que refutou…e com toda a razão!!
        Este caso é comparável ao tempo que levas a arrumar a secretária antes de sair!! Não é, de todo, comparável com tempos mortos no trabalho!!
        Se a revista existe é porque eles roubavam antes de existir essa medida…não roubassem que íam mais cedo para casa!
        Podemos sempre ver o reverso da medalha…obrigam a empresa a pagar…e os empregados começam a roubar mais e a tornar a revista mais dificil, para durar mais tempo, e receberem mais…mas não…esta versão não vende jornais!! É sempre giro ver o populismo do jornalismo hoje em dia, como distorcem tudo para o povinho fútil que não tem 2 dedos de testa concordar!!
        Os jornalistas nem têm culpa nisso…é o que vende!! A prova disso está no belo governo que temos!!

        Já agora…”Repara no entanto” que quem não refutou absolutamente nada foste tu…idem para a azedice!!

        1. Pedro, continue sendo um pensador sobre as coisas. Quando chegares a idade adulta, verás que estás errado agora, mas percebo que estás pensando com tua própria cabeça. Continue assim, só leia sempre mais e mais!

        2. Ai roubavam? Mostra-me provas que roubavam. Nos estados unidos é prática comum em trabalhadores de armazéns serem revistados à saída. O que não é prática comum é demorar 25 minutos porque esses armazéns têm funcionários suficientes para as revistas serem eficientes e eficazes. Arrumar a secretária, ainda bem que falas disso. Os trabalhadores do armazém arrumam todo o material que precisam, entre máquinas, ferramentas, caixotes no fim do turno portanto continua a distorcer o que já tinha sido distorcido, amigo.

          P.S: Se a tua secretária precisa de 25 minutos para ser arrumada é por tua culpa, amigo. E não me venhas com volume de trabalho, porque quando és competente quanto mais papelada tens, mais organizado tens de ser por inerência.

          1. Pedro essa tua analogia é ridicula.. Alem do mais é facilimo despedir alguem que roube e que neste caso seja provado.. Por isso dizeres que passavam a roubar mais para demorar mais tempo é de quem nao conhece minimamente as leslislações laborais..

    1. Já trabalhei num armazém onde faziam revista à saída, precisamente por causa de furtos que tinham ocorrido. A diferença é que o número de seguranças para o fazer era proporcional ao número de funcionários que saíam em cada turno. E foi cá em Portugal, numa empresa que explora os funcionários como tantas outras. Mas ao menos neste tema reinava o bom senso. Um trabalhador é um ser humano, com vida pessoal para além da profissional. Se somares os tais 25 minutos no final do mês, tendo em conta os 22 dias de trabalho previstos, contabilizas 550 horas perdidas. Perdidas para o trabalhador, “ganhas” para a empresa. Neste mundo capitalista tempo também é dinheiro. Por isso se obrigam o trabalhador a estar no local de trabalho, esse tempo deve ser pago. É o justo. Se não querem ter esse gasto mensal com cada trabalhador, então que arranjem meios logísticos ou recursos humanos eficazes e eficientes, que no fundo sejam uma solução para todas as partes.

  2. It is amazing that the US feels it has the right to criticise the government’s of North Korea, Russia and China for their lack of basic freedoms and invade the muddle east and Afghanistan for the sake of democracy, when it is a country incapable of looking after it’s own people. Police brutality, poverty, exploitation of the working class and the prosecution of the homeless is the America’s daily bread!

  3. Então, se não estão ao serviço, não são obrigados a esperar para serem revistados… Só é obrigado a obedecer às regras de trabalho dentro de horário laboral, pelo menos segundo a legislação portuguesa.

  4. Está claro que a revista é obrigatória por um precedente na quebra da confiança na relação patão e empregado. Estão fazendo a revista porque existem gatunos ROUBANDO.Concordo com a decisão da justiça, e para aquele empregado que não gostar; busque um outro emprego, ou abra seu próprio negócio.

  5. Se a empresa não quer pagar a revista ou seja o tempo que o funcionário perde a ser revistado por falta de meios da mesma, então a solução é simples, o trabalhador tem de deixar o posto de trabalho atempadamente para ser revistado e sair do trabalho no seu horário, retê-lo além do tempo que o mesmo tem contratado com a empresa é puramente rapto e restrição da liberdade do individuo, enfim…só na América, o país mais idiota do mundo…. 🙁

    1. Vendo a coisa por outro ângulo nada disto aconteceria se não houvesse trabalhadores que roubam, chama-se a isto pagar o justo pelo pecador. E o trabalhador pode sempre demitir-se, não tem de se sujeitar a revista nem trabalhar para um empregador que não gosta.. eu fiz isso depois de trabalhar vários anos para uma empresa, quando achei que não partilhava a mesma ideologia nem me realizava no que estava a fazer saí. Estas são as condições da empresa, quem quer fica, quem não quer vai em busca de melhor, parece-me lógico, já os americanos serem estúpidos, fazia falta um pouco da estupidez americana a Portugal, talvez assim não estivéssemos no buraco sem fundo que estamos.

      1. Tens uma visão limitada da vida, será que a maioria das pessoas não se despede do emprego que tem por serem masoquistas ou será por terem contas para pagar ou filhos para criar? Tu que te despedes por ideologias deves é morar com os papas e as únicas contas que tens que pagar são as prestações do ultimo modelo de telemóvel que saiu. E o buraco em que estamos talvez seja culpa de patrões que pensam como tu, que vem o empregado como alguém que deve ser explorado e rentabilizado ao máximo a qualquer custo e não como alguém que está a colaborar para beneficio da empresa.

  6. Ambos no meu ver têm razão…. mas é sempre o trabalhador a ser prejudicado.

    Se o Armazém precisa de fazer revistas por supostos furtos que ocorrem acho correcto as fazerem, mas também acho correcto os trabalhadores serem pagos se estão ao trabalho da empresa.

    Agora podem me dizer se o trabalhador trabalha 8h por dia e tem que dar mais 25mn a empresa, então que façam os trabalhadores saírem 25mn mais cedo, já não tem que pagar mais nada por isso e o trabalhador também não dá mais tempo nenhum a empresa.

    A final de contas é a empresa que quer passar revistas aos trabalhadores.

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