Cavaco tenta garantir governo da troika a qualquer custo

cavaco_silva_2011A verdade é que ontem à noite a maioria das pessoas esperava uma simples ratificação do acordo CDS-PSD. Mas também é verdade que estamos num período com algumas surpresas importantes. Ontem Cavaco Silva dirigiu-se ao país opondo-se à proposta de Passos e Portas e propondo um “compromisso de salvação nacional”, que tem um só significado: governos da troika e austeridade para os próximos anos, independentemente da vontade popular.

Depois de explicar porque é que achava que não podia haver eleições (orçamento de estado, a necessidade de continuar a implementar medidas de austeridade, avaliações da troika, um segundo resgate, etc…), o presidente da República acabou por embarcar na mesma ideia gasta de Durão Barroso e Passos Coelho, de que “os sacrifícios dos portugueses não podiam ser em vão” e portanto que era preciso mais sacrifícios em cima dos sacrifícios para continuar a destruir o país.

A proposta de “compromisso de salvação nacional” de Cavaco Silva implicaria um acordo de médio prazo entre os países que assinaram o memorando da troika – PSD, CDS e PS – que definiriam entre si o calendário para as eleições antecipadas futuras, definidas por Cavaco para a altura em que está programado o fim do memorando da troika (Julho 2014) e que teriam que garantir a continuação da austeridade e um governo com maioria absoluta nas próximas eleições, saído de uma combinação de entre os três partidos para continuar a austeridade mesmo depois da troika.

Apesar de surpreendente, a intervenção de Cavaco manteve no essencial a proposta de garantir um governo da troika, quaisquer que sejam os intervenientes nesse governo.

Porque é que a comunicação de ontem interessa aos precários e desempregados?

Porque fica demonstrado que para Cavaco a democracia em Portugal só se define dentro da esfera da austeridade. Está capturada nesta esfera austeritária da troika e da dívida. E isso significa mais desemprego e mais precariedade.

A crise política contínua. Só a democracia a podia terminar.

Notícia Público aqui.

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