Sem soluções

Ao dizer pública e inequivocamente que a única solução que tem a apresentar ao país é o seu empobrecimento absoluto e relativo, Passos Coelho deverá mudar o seu título de Primeiro-Ministro para gestor de falências. Como ninguém votou para ter um gestor de falência, mas sim um governo e um Primeiro-Ministro, esta afirmação equivale na prática a uma declaração de demissão. Mas não é apenas uma declaração de demissão, é ainda a assumpção unilateral de que o XIX Governo Constitucional passa a ser o I Governo de Gestão de Falência. 

Não estando o estatuto de Governo de Gestão de Falência previsto na Constituição da República, há perguntas decisivas a fazer:
– Estará o povo português disposto a aceitar empobrecer massivamente, em nome de contas e dívidas públicas de contornos não opacos mas absolutamente explícitos – a dívida privada, especialmente a dos bancos foi nacionalizada e a transferida para nós – que em nada contribuímos para contraí-la?
– Devemos continuar a aceitar pagar com a degradação absoluta das nossas vidas a contas sujas de jogatanas especulativas?
– Que legitimidade tem este governo para continuar no poder quando não tem qualquer opção a oferecer que não seja a regressão da vida colectiva?
– Estamos dispostos a continuar a ouvir este discurso estafado e bafiento de que é culpa nossa, quando se sabe que a dívida pública só se tornou pública quando o Estado, controlado pelos interesses da banca e da finança, incorporou no Orçamento do Estado as dívidas podres da banca?
– Quem votou neste governo teria votado no mesmo se a sua plataforma eleitoral fosse: VAMOS DESTRUIR ESTE PAÍS?
Para os mais atentos, já se sabia que este era o plano inicial e única proposta do governo PSD-CDS, mas caíram ontem todas as máscaras, e tudo o que foi dito até hoje por estes representantes eleitos desaparece na insignificância e esta passa a ser a única proposta: FALÊNCIA.
Pode um governo que não tem alternativas manter-se no poder? Pode um povo aceitar que lhe digam que a única coisa que tem pela frente é a destruição da sua vida? Não.
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