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Precarios Inflexiveis Fevereiro 27, 2015

Diz o gabinete de Pedro Mota Soares que a Comissão Europeia “inscreveu no memorando a redução do prazo de atribuição do subsídio de desemprego e recomendou reduzir o seu valor”, em resposta à acusação de Bruxelas de que a Segurança Social não conseguiu fazer face ao aumento da pobreza, “que entre 2012 e 2013 atingiu mais 210 mil pessoas”. “É uma posição de hipocrisia institucional”, diz o governo. A culpa é do governo, diz Bruxelas. No meio deste teatro, ambos se empenham em continuar com “medidas de reforma mais significativas”.

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Os jogos de sombras e luzes executados entre as instituições da União Europeia, a troika e os governos que se predispõem a executar os seus mandos e além destes, continuam. São todos responsáveis pelas barbaridades que se passaram e passam nos países intervencionados, sabem de partida dos efeitos destas políticas (uma vez que as mesmas foram testadas durante décadas em vários países vítimas de “ajustamentos estruturais” em África, na América Latina e na Ásia, por exemplo) e no meio de insistirem em continuar a destruição lançam farpas teatrais uns aos outros, como se houvesse alguma espécie de ingenuidade entre estas organizações. Senão vejamos, o FMI já disse publicamente que o efeito da austeridade é muito mais grave do que aquele estimado nos “modelos”, mas continua a promover as mesmas políticas, a Comissão Europeia já assumiu a degradação que é a troika, a imposição de uma tutela governamental em termos de legitimidade democrática, mas continua a impô-la. O governo português, vai além da troika e depois acusa-a de hipocrisia e de mau planeamento. A questão é simples: estas organizações estão perfeitamente articuladas entre si para representar os interesses da banca e das finanças e conseguir realizar um roubo histórico a quem trabalha para pagar os prejuízos da crise de 2008.

No mais recente acto desta ficção de má qualidade, a Comissão Europeia informou que a criação de emprego em Portugal vai abrandar, que a taxa de desemprego provavelmente vai-se fixar no nível histórico (desemprego real acima dos 20%) em que estamos hoje. Mas, na mesma frase, consegue ter a audácia de dizer que este poço sem fundo continua porque “Portugal abrandou o ritmo de reformas desde que deixou o programa de ajustamento”, como se não tivessem sido as “reformas”, as privatizações, a facilitação dos despedimentos e a precarização organizada pelo Estado a criar esse mesmo buraco negro. No final das trocas de galhardetes fica clara a sua concordância – para acabar com o desemprego, é preciso despedir, para acabar com a precariedade, é preciso precarizar. Fim do acto.

No entanto, aqueles que até agora serviam de ponto já começam a entrar em palco, com o maravilhoso prelúdio “Portugal está melhor do que há quatro anos atrás“.

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